quarta-feira, dezembro 28

Doença e Sofrimento

Doença e Sofrimento
Dirce de Assis Rudge

Médica especializada em dependência química, terapeuta familiar, formadora de terapeutas comunitários, presidente da Associação Espaço Comunitário Comenius.
www.espacocomenius.com.br
dirassis@terra.com.br

Infelizmente tenho que concordar com alguns pontos do artigo do Paulo Delgado. Quando me formei, há 36 anos atrás, os médicos ainda conversavam com os pacientes, não faltavam a plantão, examinavam o paciente. As notícias que tenho agora são bem diferentes, salvo exceções honrosas, os colegas não mais conversam, não examinam e faltam a plantões. Isto é deplorável. É muito mais fácil receitar um tranqüilizante e se “livrar” do paciente incômodo, é muito mais fácil receitar um analgésico ou pedir tomografia para qualquer dor de cabeça que apareça pela frente. Parece-me que muitos colegas nem
chegaram a experimentar o prazer que existe no exercício pleno da medicina:
conversar, examinar, fazer um diagnóstico, orientar, medicar e ver o paciente levantar-se.

Não culpo os colegas porque todos nós chegamos à faculdade, adolescentes e muitas vezes sem ter a mínima idéia do que escolhemos. Meus colegas são vítimas de um sistema excludente que não oferece nenhuma perspectiva. O sonho, melhor dizendo, a utopia do SUS ficou muito evidente com a recente doença de um famoso ex operário e ex presidente. Pacientes operários esperam na fila para uma consulta com especialista e quando o médico faz o diagnóstico, muito tempo depois, quase sempre não há mais o que fazer e ele acaba os seus dias em intermináveis viagens dentro de um sistema
extremamente cruel.

Por outro lado, a própria sociedade copia o modelo norte americano de medicalização e como não se sabe pessoa com direitos, não reclama, não reage frente ao brutal descaso que sofre. Os meus colegas são vítimas desse sistema e é muito difícil escapar. Eu tive a felicidade de começar a trabalhar aos 13 anos com carteira assinada e pude aposentar-me num dos vínculos há muito tempo atrás. Sem filhos, pude dedicar-me um pouco mais aos pacientes. A maioria não tem essa chance. São jogados aos “leões”
absolutamente inocentes e acabam se tornando cúmplices do que está aí.

Com relação ao crack entendo que o nosso sistema social está tão fragilizado
que os pais, frente as dificuldades do sistema que não tem onde encaixar o
seu sofrimento, frente ao filho que lhe testa os limites o tempo todo, acaba
abandonando o infeliz à própria sorte e não tem como perceber que a atitude
do filho pode ser um lancinante pedido de socorro. Socorro para o abandono,
a discriminação e a selvageria reinante. Tenho tido sucesso com casos de
dependência de crack quando os pais se envolvem no tratamento. A questão é
muito complexa. Não é a mãe que abandona, os usuários não são pobres e
excluídos, eles se tornam pobres e excluídos depois de muito comprometidos
pelas drogas. Ele pode ser um estudante universitário, um pai de família, um
executivo e acabar na cracolândia. Este é um ponto fundamental para
entendermos um pouco mais da questão. É lógico que existem crianças
abandonadas que acabam chegando lá e contra isso temos que unir forças para
prevenir, mas há muito mais neste balaio.

Fiquei chocada neste 23 de dezembro frente a um grupo de 18 crianças da
favela do Sapé, entre 8 e 11 anos, que não souberam responder de quem era o
aniversário que estávamos celebrando. Uma pequenina de 4 anos disse que era
papai Noel, os outros se calaram. Qualquer pessoa bem informada sabe que os
fatores de prevenção do abuso de substâncias para crianças e adolescentes
são vários, mas alguns são relacionados a estrutura familiar,
espiritualidade, modelos, valores, redes de apoio.

Temos que trabalhar rápido porque um modo de lidar com isso nasceu em 1983
lá no Ceará: Terapia Comunitária Integrativa pelas mãos de Adalberto de
Paula Barreto, um psiquiatra raro. Atravessou fronteiras e está estabelecida
além de todos os estados brasileiros, na Argentina, Chile, Uruguai, França,
Itália, Suíça e África. Não é necessário ser profissional da saúde, nem da
área psi para se tornar terapeuta comunitário é preciso ter disposição,
vocação cuidadora, saber ler e escrever bem. A proposta da TCI não é cura,
nem tratar de doenças, mas sim o alívio do sofrimento, para o qual é muito
eficiente.

Penso que um dos pontos que podemos atuar, e aí as redes sociais podem se
tornar um veículo fundamental contra os abusos que sofremos no dia a dia com
a mídia, políticos e lobbies trabalhando contra o tempo todo. Explico.
Bebida alcoólica não deve ter publicidade, as crianças devem ser protegidas
dessa afronta e jamais, num país sério, bebida alcoólica patrocinaria
atividades esportivas, que tocam especialmente nos adolescentes. Bebida
alcoólica em estádios? Absurdo que vai contra o bom senso de qualquer pessoa
com QI acima de 50. Alguma coisa começou a ser feita, mas falta muito, muito
mais. Podemos lutar por isto.


BOAS FESTAS E QUE EM 2012 POSSAMOS TRABALHAR DE MANEIRA MAIS ASSERTIVA,
ENFRENTANDO OS NOSSOS VERDADEIROS INIMIGOS: POLÍTICOS APOLÍTICOS E A
CORRUPÇÃO.

UM ABRAÇO A TODOS.
Leia abaixo o artigo do Paulo Delgado

Como Fazer o Sofrimento Gerar Mais Afeição?

Paulo Delgado(*)

O sofrimento virou doença. Qualquer mal-estar diante do mundo, um distúrbio.
A ambição grandiosa da psiquiatria está cada vez mais parecida com o sem
limite do mercado financeiro. Querem que todos vivam suas leis de ferro,
amedrontados e submissos. Nada melhor para a criação de crises do que um
poder sem sociedade, com regras próprias, exercido sobre todas as pessoas,
sem que elas tenham direito de reagir ou ficarem indiferentes. Basta dar o
nome de diagnóstico para relacionar sintomas e definir como transtorno
qualquer manifestação da personalidade.

Quando a prática da medicina, subjugada à indústria de medicamentos, se
oferece como cárcere, ficamos diante de uma verdadeira bomba embrulhada como
se fosse terapia. Pior quando uma especialidade médica transforma em missão
sanitária esconder hábitos e tarefas de uma sociedade indiferente a vida dos
outros e que só vê as pessoas de forma binária: com sucesso, ou fracassadas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anda preocupada com a definição de
doença mental que a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de
Doença Mental — universalmente conhecido como DSM-V — anda preparando. A ser
lançada em 2013, mas já objeto de tensa polêmica no meio psiquiátrico,
especialmente norte-americano, a nova edição da DSM, transforma o cérebro
num disco rígido. Um computador sem alma, intoxicado, num mundo cada vez
mais doente e que somente poderá ser salvo por remédios. A OMS alerta que
não aceita a desenvoltura da classificação, porque não é doença o que não
pode ser caracterizado patologicamente, tem etiologia desconhecida, não
possui padrão uniforme, não pode ser confirmado.

Quem não viveu alguma vez na vida, alguma destas graves “doenças”
psiquiátricas: abuso ou abstinência de substâncias, ansiedade, autismo,
déficit de atenção, transtorno bipolar, confusão, desatenção, tendência à
psicose, transtorno de personalidade, comportamento antissocial, apego
reativo, amnésia, esquizofrenia, distúrbios diversos, etc. São tantos os
nomes das “doenças do nervo” que agora viraram sinônimos de remédios e
comportamentos, que começa a ficar preocupante o convívio humano. A menos
que a sociedade perceba a gravidade dessa verdadeira epidemia que é querer
tratar pela psiquiatria as dificuldades e problemas que fazem parte da vida.
Junte os ritmos cada vez mais velozes e insanos da vida diária a esta forte
tradição que tem a medicina de “encaixar um sintoma”, prescrever um remédio
e mandar para o hospital que vamos todos viver dopados. Qual é a definição
precisa de transtorno mental? Quem pagará pela tragédia que o diagnóstico
errado causa na vida das pessoas?

Qualquer coisa malfeita afeta todos. Mas quando é feita na rua aos olhos de
todos como se fosse uma acusação, seja pelos despossuídos que usam crack,
seja pelas autoridades que usam o arbítrio para fazer a cidade limpa, há aí
outra vertente impiedosa dessa epidemia da tutela. Aqui o erro vem na sua
forma prática como serviço, depósito de exilados. No mesmo embrulho mistura
arbítrio e falsa legalidade e dá o nome de tratamento para o que é abandono.
Chama de falha moral a ousadia de esses jovens se desintegrarem nas ruas e
praças. O usuário de crack compartilha a única localização no espaço urbano
onde o efeito do que ele faz não é insignificante para os outros. Gerador de
atenção e afeição momentânea não consegue transformar em sonhos o que está
vivendo. Se o judiciário diz que é legal passeata para defender o que é
considerado ilegal, de onde sai a ousadia da autoridade para recolher das
ruas e retirar direitos de jovens pobres e abandonados? Onde pretende
devolvê-los?


Dar o nome de terapia à indiferença social e ao fracasso da política pública
— que não tem força para destinar recursos para serviços abertos 24h,
descentralizados e multiprofissionais de acolhimento — só confirma a força
que a indústria médica da tutela continua a ter sobre a população.
O que só aumenta a tragédia que é ver o sofrimento não gerar mais afeição.


Paulo Delgado - é sociólogo, foi deputado federal pelo PT de Minas e autor
da Lei da Reforma Psiquiátrica.

E-mail: contato@paulodelgado.com.br - O Globo – 05/12/2011

***
Texto recebido da Dra. Dirce de Assis RudgeIlustração: AlieneImagens:
Internet

--
Adê Cardoso
HumanizaSUS Manaus
Gerência de Educação na Saúde - GESAU
Secretaria Municipal de Saúde de Manaus - SEMSA
Av. Mário Ypiranga, 1675 Parque Dez.
Fone/Fax: +55 (92) 3236-8987
Cel:+55 (92) 8842 8247
Voicenet:8987
Manaus, Amazonas, Brasil

sexta-feira, dezembro 9

ALGO QUE AS ESCOLAS NÃO ENSINAM

Aqui estão 11 conselhos que Bill Gates recentemente ditou numa conferência em uma escola secundária, que os estudantes não aprenderiam na escola.
Ele fala sobre como a
"política educacional de vida fácil para as crianças"
têm criado uma geração sem conceito da realidade,
e como esta política têm levado as pessoas a falharem em suas vidas posteriores à escola.


Muito conciso, todos esperavam que ele fosse fazer um discurso de uma hora ou mais...
Bill Gates falou por menos de 5 minutos, foi aplaudido por mais de 10 minutos sem parar, agradeceu e foi embora em seu helicóptero...

Regra 1
A vida não é fácil, acostume-se com isso.

Regra 2
O mundo não está preocupado com a sua auto-estima.
O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele ANTES de sentir-se bem com você mesmo.

Regra 3
Você não ganhará R$ 20.000 por mês assim que sair da escola.
Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à
disposição antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone.

Regra 4
Se você acha seu professor rude, espere até ter um Chefe. Ele não terá pena de você.

Regra 5
Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social.
Seus avós têm uma palavra diferente para isso: oportunidade.

Regra 6
Se você fracassar, não é culpa de seus pais.
Então não lamente seus erros, aprenda com eles.

Regra 7
Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora.
Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e
ouvir você dizer que eles são "ridículos".

Então antes de salvar o planeta para a próxima geração, querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente limpar seu próprio quarto

Regra 8
Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim.
Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances
precisar até acertar.
Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real.
Se pisar na bola, está despedido... RUA !
Faça certo já na primeira vez

Regra 9
A vida não é dividida em semestres.
Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que os seus colegas de trabalho o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.

Regra 10
Televisão NÃO é vida real.
Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a danceteria e ir trabalhar.

Regra 11
Seja legal com os C.D.Fs. (Cús de ferro) aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas.
Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar PARA um deles.

quinta-feira, setembro 1

A FALTA DE "AMOR" TEM SIDO O MAIOR DESASTRE DA HUMANIDADE



Enviado por Nercinda C Heiderich em seg, 22/11/2010 - 15:24.

Preconceitos, discriminação, nunca deixarão de ser uma prática do ser humano.

O ser humano discrimina, tanto brancos como negros, desde que não se enquadram nos padrões exigidos pela sociedade em seus interesses sociais, econômicos, sexuais e por aí vai...



Os pastores, padres etc. se baseiam nas Escrituras Sagradas.

Quando criticamos os evangélicos, também estamos discriminando-os, por sua ideologia. Embora, muitos se esquecem que há muito mais coisas pra se preocuparem. "Se esquecem que a fé sem obras é morta".


O que precisamos entender é que cada um defende aquilo em que acredita.



O que não é aceitável são as formas de lidar com estas questões.

Não são só os homossexuais que tem sido violentados e mortos. Moradores de ruas, doentes mental nas ruas, em casa, e especial, em “clínica psiquiátrica”, prostituta etc. Basta não ter as características convencionais pra serem discriminados.


O que eu acho é que os homossexuais não precisam se expor. Que sejam discretos nas suas escolhas.
Um casal heterossexual, pra mostrar que são felizes, não precisa sair pelas ruas se agarrando, se expondo e etc.
O que acontece com a maioria dos casais de mesmo sexo é a exposição.
Toda exposição contagia ou contamina. Seja ela, boa ou ruim.



Resumindo:

A falta de amor e respeito pelo próximo
tem sido o maior desastre da humanidade!


Nercinda C. Heiderich









domingo, maio 8

Frase de Mãe: O amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho."

Agatha Christie

sábado, abril 23

A ORAÇÃO QUE CAUSOU CONTROVÉRSIA...

A ORAÇÃO QUE CAUSOU CONTROVÉRSIA...

Talvez queira ler esta oração que foi feita em Kansas, na sessão de inauguração da 'Kansas House of Representatives. ' Quando se pediu ao reverendo Joe Wright que fizesse a oração de abertura no Senado de Kansas, todos esperavam uma oração ordinária, mas isto foi o que todos escutaram:

"Senhor viemos diante de Ti neste dia, para Te pedir perdão e para pedir a Tua direção. Sabemos que a Tua palavra disse:

'Maldito aqueles que chamam "bem" ao que está "mal“, e é exatamente o que temos feito. Temos perdido o equilíbrio espiritual e temos mudado os nossos valores. Temos explorado o pobre e temos chamado a isso "sorte". Temos recompensado a preguiça e chamamos de "Ajuda Social".
Temos matado os nossos filhos que ainda não nasceram e temos chamado isso de “a livre escolha".
Temos abatido os nossos condenados e chamamos de "justiça". Temos sido negligentes ao disciplinar os nossos filhos e chamamos “desenvolver a sua auto-estima”.
Temos abusado do poder e temos chamado a isso: "Política".
Temos cobiçado os bens do nosso vizinho e a isso temos chamado "ter ambição". Temos contaminado as ondas de rádio e televisão com muita grosseria e pornografia e temos chamado "liberdade de expressão".
Temos ridicularizado os valores estabelecidos desde há muito tempo pelos nossos ancestrais e a isto temos chamado de "obsoleto e passado".

“Oh Deus! Olhai no profundo de nossos corações; purificai-nos e livrai-nos dos nossos pecados. Amém.”
A reação foi imediata.
Um Parlamentar abandonou a sala durante a oração.
Três outros criticaram a oração do Padre classificando a oração como “uma mensagem de intolerância”.
Durante as seis semanas seguintes, a Igreja 'Central Catholic Church‘ onde trabalha o sacerdote Wright recebeu mais de 5.000 chamadas telefônicas, das quais só 47 foram desfavoráveis.
Esta Igreja recebe agora petições do mundo inteiro, da Índia, África, Ásia, para que o pároco Wright ore por eles.
O comentarista Paul Harvey difundiu esta oração na sua emissão de rádio ' The Rest of the Story ', (O Resto da História), e recebeu um acolhimento muito mais favorável por esta emissão, que por qualquer outra.
“Com a ajuda de Deus, gostaríamos que esta oração se derramasse sobre a nossa nação, e que nasça em nossos corações o desejo de chegar a ser uma ‘‘Nação debaixo do olhar de Deus”.
Se você pode fazer isso, envia esta oração aos teus amigos e em 30 dias o mundo inteiro a terá lido.
Se não temos o valor de nos mantermos firmes nas nossas convicções, então cairemos diante de qualquer outro argumento, ou inimigo.

terça-feira, abril 19

A ?nica pena de pris?o perp?tua no Brasil: o manic?mio

A ?nica pena de pris?o perp?tua no Brasil: o manic?mio
Antonio Baptista Gonçalves - 01/02/2007

O artigo 97 em seu par?grafo primeiro ? claro:

?A interna??o, ou tratamento ambulatorial, ser? por tempo indeterminado, perdurando enquanto n?o for averiguada, mediante per?cia m?dica, a cessa??o de periculosidade?.

Se comparada ? pena diversa da medida de seguran?a temos um entendimento diverso:

?Artigo 55. A dura??o das penas privativas de liberdade n?o pode, em caso algum, ser superior a trinta anos, nem a import?ncia das multas ultrapassar cem contos de r?is.?

Sendo assim, faz-se pungente uma compara??o entre pena e medida de seguran?a.

As medidas de seguran?a tamb?m s?o san??es penais, entretanto, diferem pela natureza e fundamento. As penas t?m car?ter retributivo-preventivo e se baseiam na culpabilidade, as medidas de seguran?a t?m natureza preventiva e encontram fundamento na periculosidade do sujeito.

A defini??o parece um pouco rasa, ent?o trazemos a defini??o e pena de Roberto Delmanto: ?Pena ? a imposi??o da perda ou diminui??o de um bem jur?dico, prevista em lei e aplicada pelo ?rg?o judici?rio, aqu?m praticou il?cito penal. Ela tem finalidade retributiva, preventiva e ressocilizadora. Retributiva, pois imp?e um mal (priva??o de bem jur?dico) ao violador da norma penal. Preventiva, porque visa a evitar a pr?tica de crimes, seja intimidando a todos, em geral, como o exemplo de sua aplica??o, seja, em especial, privando da liberdade o autor do crime e obstando que ele volte a delinq?ir. E ressocializadora, porque objetiva a sua readapta??o social?. Contido in C?digo Penal Comentado, 4? ed., 1999, p?gina 63.

Se a finalidade da pena ? a retribui??o, o agente que recebeu a medida de seguran?a nunca poder? devolver ? sociedade coisa alguma, porque sua liberdade foi extirpada por tempo indeterminado.

O mesmo conceito se aplica ? ressocializa??o, pois um indiv?duo condenado a uma interna??o em um manic?mio por tempo indeterminado n?o poder? ser ressocializado em tempo algum.

E a explica??o da n?o ressocializa??o paira na condi??o dos manic?mios brasileiros. As pessoas que chegam nesses locais est?o confinadas e destinadas a serem doentes pelo resto de suas vidas.

N?o existe um acompanhamento individualizado, an?lises psicol?gicas, ministra??es de rem?dio individualizada. E muito menos um reexame necess?rio para tratar da progress?o do doente.

Os tidos como loucos s?o tratados como completos alienados e rec?m uma medica??o uniforme, e a preocupa??o em sua ressocializa??o e recupera??o ? a mesma de ressocializar um psicopata.

E a culpa n?o ? do profissional m?dico ou psiquiatra que trata dos doentes, mas sim da falta de suprimentos e infra-estrutura oferecida pelo governo aos pacientes.

O fornecimento do pr?dio n?o implica que todos os problemas estejam resolvidos. O m?dico n?o pode deixar de ministrar uma medica??o, e o que poder? ser feito se n?o existe o rem?dio adequado para cada tipo de doen?a dentro do sanat?rio?

Os doentes s?o os maiores prejudicados, pois s?o tratados com descaso pelo governo e a sua conseq?ente n?o melhora implica num total desestimulo por parte de seus familiares. Isto resulta num esquecimento progressivo da exist?ncia do enfermo.

E, ao inv?s de ir se recuperando para um conv?vio social sadio, o doente se afasta mais e mais da sociedade. A alega??o ? a padronizada: falta de recursos. Mas, afinal, ? para quem a falta de recursos, para o doente ou para quem o trata?

O doente ao ser tratado da forma incorreta recebe uma dupla puni??o, o que n?o parece ser legislativamente correto. Do ?mbito moral ent?o...

Existem ainda uns poucos focos de resist?ncia, o denominado movimento antimanicomial. E algumas conquistas foram obtidas, como a reforma psiqui?trica brasileira, com uma n?tida cobran?a por pol?ticas p?blicas mais adequadas. O resultado fora a Lei n? 10.216/2001 e a Resolu??o n. 60/2004, do Conselho Municipal de Sa?de.

Muito causa esp?cie em tempos de despenaliza??o, de desenvolvimento do direito penal m?nimo, a mantenedura de um dispositivo como o da medida de seguran?a no C?digo Penal Brasileiro.

Numa evolu??o legislativa crescente, o tema do louco e do incapaz j? era tratado desde o C?digo Criminal do Imp?rio, atrav?s do artigo 64:

?Os delinq?entes que, sendo condemnados, se acharem, no estado de loucura, n?o ser?o punidos emquanto nesse estado se conservarem.?

O mesmo se observa no C?digo Penal de 1890, atrav?s do artigo 29:

?Os indiv?duos isentos de culpabilidade em resultado de affec??o mental ser?o entregues ?s suas fam?lias, ou recolhidos a hospitaes de alienados, si o seu estado mental assim exigir para seguran?a do publico?.

O que sempre se ouve ? que a mentalidade dos legisladores evoluiu no espa?o-tempo, afinal, o car?ter punitivo, e principalmente as penas foram sendo abrandadas com a evolu??o dos c?digos. Entretanto, no caso da medida de seguran?a, o caminho foi diametralmente oposto.

O c?digo de 1940 tem um rigorismo muito maior que o C?digo Criminal, ou mesmo o C?digo Penal de 1890, que determinava o recolhimento, n?o por prazo indeterminado, ou na casa dos familiares ou em local pr?prio.

E o que aconteceu? O condenado ganhou uma pena de morte num pa?s que se orgulha de ser ?humanit?rio?. Porque se um indiv?duo n?o tem o tratamento necess?rio, o acompanhamento devido, n?o ter? como sair do hospital, e, por conseguinte, ser? considerado um morto social. Seu conv?vio sadio e normal nunca voltar? a existir.

N?o ? um crit?rio de justi?a e imparcim?nia. O louco deve ser tratado de uma maneira especial, mas nunca como um alienado e desesperan?oso de recupera??o.

Uma pessoa com recursos faz an?lise para tratar de seus problemas. Num est?gio mais avan?ado faz tratamento psiqui?trico a base de rem?dios. Ora, a diferen?a da senten?a ? financeira? Quem tem dinheiro se trata da maneira adequada e tem cura. Quem n?o o tem ? jogado a pr?pria sorte.

O doente n?o pode responder com sua sa?de pela completa incapacidade do Estado. Se este n?o tem os recursos adequados para tratamento, ent?o que seja revista a pena. Manter uma pessoa isolada apenas para afast?-la do conv?vio social e assim proteger a comunidade n?o ? uma solu??o justa.

O pre?o a ser pago ? muito grande. A Constitui??o Federal em seu artigo 5? ? clara:

?Todos s?o iguais perante a lei, sem distin??o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no pa?s a inviolabilidade do direito ? vida, ? liberdade, ? igualdade, ? seguran?a e ? propriedade, nos termos seguintes (grifo nosso):

III ? ningu?m ser? submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.?

A continuidade da exist?ncia dos manic?mios nas condi??es atuais representa um desrespeito ? pr?pria Constitui??o Federal de 1988.

O doente deve ser tratado de forma digna, e sua vida n?o pode ser vilipendiada como um simples objeto que se descarta.

A vida humana ? valorosa demais para ser esquecida e confinada entre quatro paredes sem qualquer possibilidade de recupera??o. A pena n?o pode passar da pessoa do condenado, e muito menos ser a vida do condenado.

Uma reforma se faz urgente no C?digo Penal. A mantenedura da medida de seguran?a por tempo indeterminado e nas condi??es em que ? aplicada ? uma clara viola??o aos direitos humanos fundamentais. E pelo que se exige no Pacto de San Jose da Costa Rica, todos os signat?rios devem se submeter ao que disp?e o texto legal.

O doente mental merece respeito. Os manic?mios merecem reformas, mas os legisladores merecem uma nova mentalidade. Violar os direitos humanos por falta de condi??es ? o pior dos crimes contra a vida humana, matar socialmente pode ser muito pior do que um homic?dio. Reforma j