Um Ensaio sobre a vida!
Minhas lágrimas nunca cessarão de rolar.
Mas, eu sei que um dia, Deus exugará deles toda lágrima,
e a morte não mais existirá, já não haverá mais luto, nem
pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.
terça-feira, janeiro 4
Na oração de confissão de Daniel há uma declaração que vem se tornando cada dia mais rara entre nós: "
A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha” (Dn 9.7). Isto não acontece mais.
Somos demasiadamente tolerantes para “corar de vergonha”.
Mesmo diante de fatos trágicos e deploráveis que vemos todos os dias, o máximo que conseguimos é uma indignação passageira. Porém, é a possibilidade de corar de vergonha que não me permite rir da corrupção, achar normal a promiscuidade, conviver naturalmente com a maldade e a mentira, ou, ainda, achar graça da injustiça.
Vivemos numa cultura que se orgulha do pecado, glamourizando-o através dos meios de comunicação, fazendo das tribunas públicas um palco de mentiras, organizando marchas para celebrá-lo, rindo da corrupção, exaltando a esperteza.
E ninguém fica corado de vergonha.
Daniel contrasta, de um lado, a natureza justa de Deus e, de outro, a corrupção e a injustiça do seu povo. Ele só é capaz de fazer isto porque sua ética e moral estão ancoradas em verdades absolutas sobre as quais não pode haver tolerância. A conclusão a que ele chega é que, diante da justiça divina e do quadro trágico de um povo que se orgulha de sua maldade, o que sobra é o
“corar de vergonha”.
Ele nos apresenta aqui a importância de uma vergonha saudável e essencial na preservação da dignidade humana e espiritualidade cristã.
A vergonha aqui é a virtude que nos ajuda a reconhecer nossos erros, limitações, faltas e pecados porque ainda somos capazes de perceber que existe algo melhor, mais belo, mais sublime, mais nobre, mais justo, mais santo e mais humano pelo qual vale a pena lutar.
A vergonha nos impõe um limite.
É por isto que o caminho para o crescimento e amadurecimento passa pela capacidade de ficar corado de vergonha diante de tudo aquilo que compromete a justiça e a santidade.
No caminho da santidade lidamos com o amor, verdade, bondade, justiça, beleza, entrega, doação e cuidado. A falta de vergonha nos leva a negar este caminho e optar pela mentira, manipulação, engano, falsidade, hipocrisia e violência.
“Corar de vergonha” é uma virtude que falta na experiência espiritual moderna, a virtude de olhar para o pecado que habita em nós, a mentira e o engano que residem nos porões da alma, a injustiça que se alimenta do egoísmo, a malícia que desperta os desejos mais mesquinhos, e se entristecer.
Precisamos reconhecer que foram os nossos pecados que levaram o Santo Filho de Deus a sofrer a vergonha da cruz. Quando olhamos para a cruz e contemplamos nela a beleza e a pureza do amor, só nos resta “corar de vergonha”.
Pr. Ricardo Barbosa – Revista Ultimato – Com adaptações.
Pr. Robson Wesley
Estudo publicado no Boletim IMGD Setembro/2008
quinta-feira, dezembro 23
Enviado por Elias J. Silva, seg, 20/12/2010 - 14:10
12 Up
Hoje quero abrir os olhos para a vida
Quero despertar para outros mundos
Quero apreender valores
Que me tornem mais humano
E me levem a ser melhor
Quero me sentir motivado
A rejeitar os preconceitos
E superar os que já tenho
Quero ter a sensibilidade
De entender o outro
E ser um facilitador
Nunca um complicador
Quero ser uma trilha
Nunca um beco sem saída
Uma ponte
Nunca uma ilha
Quero ter o necessário para viver
Sem, contudo, explorar ninguém
Nem me deixar explorar
Quero me esforçar para ser justo
Mesmo vivendo numa sociedade
Fundamentada na injustiça
Quero saber dar valor à vida
Nunca banalizá-la
E nem me deixar levar pela violência
Quero ter a coragem de rejeitar
E denunciar toda cultura de morte
Tudo que agride a vida
Quero aprender a ser solidário e fraterno
Quero desaprender o egoísmo e o desamor
Quero olhar sempre a vida de frente
Andar com passos firmes na direção do futuro
Quero olhar o passado e dele tirar ensinamentos
Para que o presente seja com maior acerto
Quero enfim, manifestar a minha humanidade
Valorizando o SER
Partilhando o ter e o SABER
Repartindo o pão para gerar mais pão
E participando com toda energia
Do grande banquete da vida
São estes propósitos que me embalam a reflexionar sobre o Natal buscando recuperar em mim e enxergar no universo os valores e o sentido de Nascimento, renovação e comunhão. Na perspectiva do nascimento é possível resgatar o universo-criança que há em todos nós. O universo-criança aponta-nos o sentimento de renovação permanente que devemos perseguir nesta nossa caminhada existencial. A renovação faz parte da nossa razão de existir, posto que existir é fundamentalmente o ato de renovar-se a cada momento. São as atitudes proativas, generosas, acolhedoras e carregadas de humanidade que produzem a verdadeira comunhão: de idéias e de ações que traduzem a esperança da luta pela vida. Holisticamente, que o nosso Natal seja luz e energia limpa, que para além do consumo banal sejamos estrelas que fazem o universo brilhar!
Novo tempo
Nova vida
Na plenitude do Natal
O amor se faz partilha
De um presente sem igual
É Natal do Senhor Jesus
Tempo de festa em que a vida reluz
É Natal de amor e luz
Tempo de festa em que a vida reluz!
Feliz Natal! 2011 com muita saúde para todos e todas!
Acolham esta mensagem com o nosso desejo profundo de Boas Festas e de Saúde e Paz em 2011!
Elias José da Silva - Educador popular, poeta e coordenador do Programa Cirandas da Vida.
Blog de Elias J. Silva
102 leituras
Tags: Poesia e educação popular
Estado/cidade: Ceará/Fortaleza
sexta-feira, dezembro 17
"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência: ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada serei.
E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso se aproveitará.
O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz incovenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba. Mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará.
Porque em parte conhecemos e em parte profetizamos. Quando porém vier o que é perfeito, o que então é em parte, será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como um menino, sentia como menino. Quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.
Porque agora vemos como um espelho, obscuramente, e então veremos face a face; agora conheço em parte, e então conhecerei como sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a Fé, a Esperança e o Amor. Estes três.
Porém o maior deles é o Amor
quinta-feira, dezembro 16
PROJETO ESCOLA PÚBLICA
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007, DETERMINA A OBRIGATORIEDADE DE OS AGENTES PÚBLICOS ELEITOS MATRICULAREM SEUS FILHOS E DEMAIS DEPENDENTES EM ESCOLAS PÚBLICAS ATÉ 2014.
Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas.
Uma idéia muito boa do Senador Cristovam Buarque.
Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, Deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública.
As conseqüências seriam as melhores possíveis.
Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.
SE VOCÊ CONCORDA COM A IDÉIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM. Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país.
O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.
Desde o começo de 2009 ele se encontra parado na CCJ - Comissão de Justiça.
Ainda que você ache que não pode fazer nada a respeito, pelo menos passe adiante para que chegue até alguem que pode fazer algo.
http://legis.senado.gov.br/mate-pdf/10943.pdf
http://www.senado.gov.br/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166
-- Romney LimaProfessor de Históriawww.historiaatravesdamusica.com.br
domingo, dezembro 5
Para mim, minha querida, o tempo não passou,
Estou revivendo tudo o que aconteceu naquele dia,
Quatro de dezembro de 2006.
A hora em que sai de casa, a hora em que cheguei à Clínica De Repouso Santa Isabel LTDA, em Cachoeiro do Itapemirim no ES,
As duas horas e meia de espera que a assistente social me disse pra aguardar,
Sem esquecer de levar o biscoito de chocolate e o refrigerante que você pediu,
O momento de entrada, quando citei seu nome e desespero de não poder entrar,
Das minha pernas travadas, na entrada...
O meu ser não queria acreditar na tragédia anunciada no rosto das duas enfermeiras à porta da entrada do pátio de visitação.
Do momento em que me levaram para a sala da assistente social, onde já me aguardavam.
O meu grito de angustia ainda ecoa dentro do meu peito,
Ferido de morte, o meu coração, constantemente sangra. Pois, o mesmo punhal que cravaram em seu peito
É o mesmo que está cravado no meu.
Lutando por justiça, continuo, pois, tenho certeza plena que,
Sua morte não foi em vão.... Eras uma guerreira
Não se curvava diante das injustiças e dos maus tratos, especialmente, aos menos favorecidos.
Você nem tinha noção do significado da palavra, " DIREITOS HUMANOS".
Mas, possuía uma característica que muitos não possuem: "JUSTIÇA”.
Bem sei que não me ouves, nem mais sabes de coisa alguma daqui.Pois, a este mundo não pertences mais.Já descansas nos braços do PAI.
terça-feira, novembro 23
E quando nada vai bem...
terça-feira, 23 de novembro de 2010 , Postado por Felipe Heiderich at 00:09
Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. Habacuque 3.17,18
Quando Habacuque proferiu essas palavras há centenas de anos antes de Jesus, talvez ele não fazia idéia de que mesmo depois de milhares de anos suas palavras se tornariam extremamente atuais como se fazem hoje em dia.
O mundo religioso tem mergulhado em teologias, fantasias onde cada vez mais vemos os olhares se voltando para o homem e não para D-us. Perdemos o equilíbrio entre o Teocentrismo e o Antropocentrismo e mergulhamos fundo num Humanismo desumano. Tudo tem se tornado válido, desde que seja bom pra mim.
Surge um evangelho maquiavélico, onde os fins têm justificado os meios e com a benção de D-us!
Num tempo onde a prosperidade e a ganância têm invadido as igrejas, apregoando bênçãos financeiras a qualquer custo, fico pensando nas palavras de Habacuque que se tornam tão vivas nos dias de hoje.
Habacuque fala de 3 árvores bem conhecidas na Bíblia: Figueira, Videira e Oliveira.
Nos textos Bíblicos a Figueira se refere a cura (2Rs 20.5-7) a Videira, que produz o vinho, nos remete ao sangue de Jesus e por conseguinte à salvação e por fim a Oliveira que produz o azeite, muito usado para fazer os óleos da unção nos faz apologia a unção do Espírito Santo.
Habacuque nos diz que mesmo que eu não enxergue cura para minha doença, mesmo que ache que não há salvação e mesmo que surja aflição tamanha que não reconheça a voz do Espírito, mesmo assim ele se alegraria no Senhor. Mesmo que não haja gado ou ovelhas e a fome bata a sua porta, todavia ele não se esqueceria do Senhor e nem por isso estaria sobre maldição, mas sim sendo moldado pelo criador.
O profeta nos mostra que a vida pode ser difícil ou não. Não interessa as circunstâncias. O que interessa é o alvo, e este não são os bens materiais, amizades, fama ou saúde, o seu foco foi e sempre será o SENHOR CRIADOR.
Palavras mais que atuais nos dias de hoje. Pense
quinta-feira, novembro 18
Humanizando o Ser Humano

Tenho estado muito tocada nos últimos tempos com as relações entre profissionais e usuários .
Algo me inquieta, incomoda mais que em outros momentos e me pergunto o que significa isso.
Essa semana, conversava com uma amiga sobre as questões do SUS e contei-lhe alguns relatos de profissionais feitos nas rodas dos hospitais do RN e das cenas vivas nos corredores dos mesmos, que evidenciam a profunda desqualificação dos usuários e das suas demandas, por parte dos trabalhadores. Algumas ainda me vêm à mente de maneira forte, como por exemplo, a fala de um médico se dirigindo à uma mulher que chorava alto com o joelho muito machucado. O médico pedia que a mesma parasse com aquilo, e que, mesmo se um trator tivesse passado por cima do seu joelho, não precisava dar tanto “chilique”. Noutra cena, respondendo a um apelo de ajuda de uma técnica de enfermagem para levantar um homem do chão, o maqueiro grita: “deixe aí mesmo! Ele é um drogado.” Contei-lhe, por fim, o relato que mais tinha mexido comigo e levou-me a parar e pensar insistentemente nessa relação. Trata-se do momento em que uma técnica de enfermagem dava banho numa paciente, quando outra colega aproximou-se e disse que ela não podia dar banho na usuária com aquele balde, pois o mesmo era de limpeza do hospital, ao que lhe respondeu prontamente e de forma grosseira a colega: “não se preocupe porque depois posso passar álcool nela”.
Minha amiga destacou que, como sempre, eu mostrava estranheza frente àquelas situações tão conhecidas. Mas, naquele dia em particular, minha inquietude parecia diferente, comparando com outros momentos. Realmente, ela tinha razão. Eu estava pensativa, como se aquele corriqueiro tivesse me desafiado de outra forma. Comecei a observar melhor esses relatos do cotidiano, a observar as falas, os fatos, as pessoas, suas razões. Aqueles comportamentos se revelavam para mim, há muito tempo, como um dos maiores contrassensos na vida do profissional da saúde: alguém que se oferta como cuidador e no lugar disso, maltrata. Coisa estranha! Mas, sabia que essa era uma realidade e que todos nós lutávamos no sentido de mudá-la e, por isso mesmo, tinha sido criada a PNH. Fiquei “matutando” sobre esse nome, humanização, que já tinha me feito passar por muitas chateações nas centenas de rodas que participei, durante esses seis anos em que sou consultora dessa politica. Ainda escuto os participantes gritando em minha direção: porque essa palavra humanização? Por acaso somos bichos? Que coisa esquisita esse nome! Brigava comigo mesma porque, lá no intimo, também pensava que não tinha sido a melhor escolha. Somente tempos mais tarde entendi muito bem, porque seus fundadores escolheram exatamente essa palavra: humanização. Sim, essa palavra traduz bem um apelo a nós mesmos, joga na nossa cara algo que fica turvo, difícil de enxergar porque instituído, naturalizado, legitimado. Enxergar esse jeito de operar a vida, muitas vezes sem escrúpulos, ultrapassando os limites do outro, colocando-o na condição de objeto e até mesmo de lixo. Simples! Simples assim como estou falando.
Uma cultura na qual a relação é mais importante que o direito, onde o jeitinho se impõe como forma de resolução dos problemas, onde os interesses pessoais e de grupos ultrapassam os projetos coletivos e o bem comum. Nesse dia voltei para casa pensando nos meus movimentos, em mim mesma, achando que essa semana estava fadada aos questionamentos para todos os lados e conclui: estou em crise! Quando saí do hospital, fui almoçar com minha mãe e com ela tive uma conversa interessante sobre a sua família de origem e seus antepassados e, dessa conversa, transportei para minhas reflexões as relações dos coronéis, dos senhores de engenho com seus “protegidos”. Relações que revelam o paternalismo, o autoritarismo, a hierarquia, a subserviência, o toma lá da cá, a troca de favores e a bajulação. Nessa conversa, minha mãe falou ainda, que o autor do 1808 havia dado uma entrevista na TV, falando do mesmo assunto. Afirmava ele que, no período colonial, no Rio de Janeiro, a elite dita branca tinha uma relação de bajulação com a corte portuguesa e que a troca de favores e a corrupção se constituíam como práticas privilegiadas . Laurentino acrescentara ainda: “nunca o país foi tão corrupto quanto no período colonial!” É isso! Ainda corre no nosso “sangue” todos esses ingredientes. Imaginei que seria saudável encarar essa herança frente à frente, olhar com atenção e discutir nas rodas como esse “jeitinho” se inscreve no nosso dia a dia, no trabalho, na vida; olhar para essas imagens sem medos, sem preconceitos, com calma, buscando entender como nos constituímos, e aí, poder abraçar o que de maravilhoso herdamos da nossa mestiçagem e nos desvencilharmos dos legados indevidos, desatando as amarras que nos prendem e nos inscrevem na pequenez humana.
Grande abraço queridos e queridas companheir@s.
Sheylla